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Dia do Cinema Brasileiro

VAI BRASIL!!!
Nessa época de Copa do Mundo, é comum ver bandeiras do Brasil penduradas na sacada, fitinhas na antena do carro e ruas pintadas de verde e amarelo. Mas neste mês, o orgulho nacional pode ser exibido por uma outra razão: o cinema nacional. No dia 19 de junho é comemorado o Dia do Cinema Brasileiro, uma homenagem ao cinegrafista Afonso Segreto que registrou neste mesmo dia, em 1898, as primeiras imagens do Brasil. E se você é daqueles que adora cornetar o cinema deste país hexacampeão, saiba que mesmo sem ter levado o Oscar (a Copa do Mundo da Sétima Arte), nossos filmes já fizeram bonito por aí.
Antes de começar a encarar filmes mais cabeçudos como “Terra em Transe” (Glauber Rocha, 1967) ou “O Pagador de Promessas” (Anselmo Duarte, 1962), que tal algo mais leve para começar a ver nossas produções com outros olhos?
 
CENTRAL DO BRASIL (Walter Salles, 1998)
Considerado por muitos, um dos filmes nacionais mais importantes de todos os tempos, “Central do Brasil” bateu na trave no Oscar, chegando muito perto de garantir a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
O filme conta a história de Dora (Fernanda Montenegro) que trabalha na Central do Brasil no Rio de Janeiro, escrevendo cartas para clientes analfabetos. Em um certo dia, entra em sua vida Josué (Vinicius de Oliveira), um menino de 9 anos que sonha conhecer o pai. Começa então uma grande viagem pelo Brasil, em que os dois personagens vão se envolvendo e apresentando uma realidade nova para quem acompanha essa história.
 
O AUTO DA COMPADECIDA (Guel Arraes, 2000)
Ao buscar inspiração na obra de Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida” conseguiu garantir seu lugar entre uma das produções mais divertidas (Os Trapalhões que me perdoem)
do nosso cinema. João Grilo (Matheus Nachtergale), o mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o covarde, formam uma dupla carismática que vai levando a vida com pequenos golpes pelo sertão. Tudo muda quando eles cruzam o caminho de um cangaceiro e acabam morrendo. Resultado: um mergulho delicioso na cultura nordestina, recheado de bordões que são repetidos até hoje.
 
CIDADE DE DEUS (Fernando Meirelles, 2002)
Com uma fotografia e montagem que conduzem brilhantemente o excelente roteiro, “Cidade de Deus” é um dos grandes exemplos da qualidade do cinema nacional. A história acompanha a infância e adolescência de Buscapé (Alexandre Rodrigues), um morador da Cidade de Deus, rodeado pela violência. Na figura de Dadinho / Zé Pequeno (Leandro Firmino) essa violência ganha ares de denúncia sobre a situação das favelas brasileiras. Em contrapartida, o sonho de ser fotógrafo de Buscapé cria uma via alternativa, como na canção “O Caminho do Bem”, interpretada por Tim Maia.
 
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (Cao Hamburger, 2006)
Essa vai para quem gosta de futebol, Castelo Rá-Tim-Bum e todo mundo que ainda tem um coração. O ano é 1970. O garoto Mauro (Michel Joelsas) vive a expectativa da Copa de 1970, quando
seus pais “saem de férias”, deixando-o para morar com o avô (Paulo Autran). Na verdade, o que ele não sabe, é que os pais estão fugindo da repressão política. A situação muda novamente quando o avô morre e Mauro passa a viver com o vizinho, o judeu
Shlomo (Germano Haiut). Acostumado a lidar com elenco infantil ao ter dirigido o programa Castelo Rá-Tim-Bum e o filme “Um Menino Maluquinho”, Cao Hamburguer consegue transportar a gente para a infância.
 
QUE HORAS ELA VOLTA? (Anna Muylaert, 2015)
Aqui vai uma cutucada não tão sutil na relação entre patrões e empregados. A trama do filme é até simples: Val (Regina Casé) se muda do Nordeste para São Paulo para trabalhar como babá, deixando para trás sua filha, Jéssica. 13 anos depois, Jéssica (Camila Márdila) vai a São Paulo para visitá-la. A partir daí, o enredo ganha um tom de crítica quando a filha passa a questionar a obediência cega da mãe e o determinismo social dos patrões.
O filme incomoda, mas é brilhante justamente por fazer refletir.

Gostando ou não destas películas, o mais importante é reconhecer a capacidade de profissionais que driblaram todas as adversidades e conquistaram seu espaço. Isso sim faz a gente querer gritar BRASIL-SIL-SIL!

Autor: Everton Rosa